Terça-feira, 16 de Junho de 2009

I'LL Be Back

Depois de muito tempo, muito tempo mesmo, resolvi ressucitar esse Blog, e dessa vez é pra valer. Em breve publicarei vários posts, serão pelo menos 2 por semana. Se é sua primeira visita ao Apanhador essa é a hora de aproveitar esse breve momento e se atualizar lendo os posts antigos. Se você já é de casa e está cansado de vir atrás de post novo, me desculpe, prometo que os novos posts farão a espera de quase seis meses valer a pena.

Particularmente, não gosto de poesias, mas mostrarei a você uma que me inspirou profundamente e me fez refletir por todo este tempo que estive ausente aqui (se você já leu, releia, essa é uma lição de vida):


"Mamãe querida,

vamos lamber ferida?

Não amor,

prefiro lamber tumor.

Tumor não me seduz,

prefiro um copo de pus.

Pus só na caneca,

prefiro lamber meleca.

Meleca só no jantar,

abre a boca que vou vomitar!"




Abraços nobre leitor(a)!

Domingo, 11 de Janeiro de 2009

Que Assim Seja, Amém!

Eram oito horas da manhã e o sino da igreja chamava os fiéis para mais uma missa dominical na Ilhéus de 1932. Os coronéis do cacau levavam suas esposas até a porta da igreja no porto e atravessavam a rua rumo ao bar Vesúvio, para resolverem negócios...

Assim que o último coronel entrava no bar as portas eram fechadas. Manoel, o português dono do bar, abriu as portas mais distantes do fundo do bar e e foi puxando a procissão pelo túnel escuro. 200 metros adiante Manoel abriu outra porta, essa com dois grossos cadeados, e o Sol, que ali parecia mais radiante, iluminou os rostos dos sorridentes coronéis.

Ali funcionava o Bataclan, o paraíso dos homens daquela região, e de outras, que vinham conferir o comentado bordel e casa de jogos. Na sala de entrada todos guardavam seus chapéus, paletós e bengalas e já acendiam os charutos cubanos enquanto se dirigiam à sala de jogos. De meia em meia hora dançarinas de cabaret entretiam os clientes com shows e iam com os perdedores do poker para os aposentos no andar superior.


Num dos shows o som foi interrompido, Maria Machadão, a proprietária do estabelecimento, uma senhora de seus 60 anos, mas com cara e corpo de 30, entrou no salão e de mesa em mesa cumprimentou os seus clientes. Aquela mulher era tudo o que aqueles coronéis mais desejavam, mas, para a infelicidade deles ela era uma dama de respeito, e só administrava o lugar. Ela passou um tempo maior numa das mesas de jogatina, a mesa na qual estava sentado o coronel Olívio, o único que a possuía. O caso deles já tinha quase uma década, e embora todos na cidade soubessem, eles eram muitíssimo discretos. Primeiro, ela se recolheu ao seu quarto, e em menos de dois minutos Olívio pediu licença para redigir uma carta no escritório público, que ficava vizinho ao quarto da Srta machadão.


Na igreja o padre chegava às duas horas de missa ininterruptas, metade do tempo total, e o calor era insuportável, mas não tanto quanto aquelas mulheres precisavam fingir acreditar nas reuniões dos maridos e tolerá-las, mas, fazer o quê se isso era o preço a se pagar para levar uma vida de madame. Tudo pelas roupas vindas da Europa e pela mordomia de ter escravos numa época em que a escravidão já não deveria existir. Dona Ana Maria, esposa do coronel Olívio, o mais rico da região, tinha seu lugar e os de suas filhas reservados pelo padre Itamar na primeira fila, era o camarote vip da época, o lugar mais próximo de Deus, e do santíssimo padre.


Após quatro horas de missa em latim, cantos que caberiam em uma caixa de vinís, ventos gerados pelos leques capazes de mover moinhos e suor que daria para abastecer a cidade por uma semana o padre ordenou que o coroinha mais velho fosse tocar o sino anunciando o fim da missa, disse ainda: Toque daquele jeito!


O coroinha chamou um colega para ajudar e foram com todas as suas forças tocar o sino, tocavam sempre por três minutos, e então retornaram ao altar. O padre autorizou que abrissem as portas e foi o primeiro a sair em direção ao bar Vesúvio. As mulheres, como de costume, foram conversar na praça enquanto esperavam pelos seus coronéis.


A multidão tinha acabado de chegar pelo túnel do Manoel quando um funcionário do Vesúvio abriu a porta para o padre Itamar. Os coronéis fizeram fila para receber as bênçãos divinas e após recebê-las deram cada um sua contribuição ao coronel Olívio, que somou mais uma generosa quantia e repassou o dinheiro ao bondoso padre, que exercia a cada semana o seu papel celestial de distrair as mulheres. E assim, a vida sustentada por cacau continuou em Ilhéus por muitos e muitos anos, com cada vez mais dançarinas, coronéis, padres e beatas.

Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2008

Natal sem Dente na Casa de Parente


O natal da minha família sempre tentou ser somente um natal tradicional, mas felizmente nunca conseguiu, e a cada ano nos superamos e algo inacreditável ocorre. No último natal aconteceu um fato tão bizarro que chega a ser egoísmo não dividí-lo com você. E esse será o meu presente de natal a todos os leitores desse Blog...


Jingle bells, jingle bells, jingle all the way ...

O papai noel tamanho real (não me perguntem como sabem que é tamanho real) que minha avó havia comprado cantava e rebolava quando cheguei com meus pais e irmãos em sua casa. As tias chatas estavam a postos falando mal dos parentes que ainda não tinham chegado - mudaram de assunto assim que chegamos - os primos em tamanho miniatura corriam feito pinschers pela casa toda e os mais velhos ainda não tinham chegado.

Por volta das onze horas começamos o amigo secreto. Pedi pra começar e milagrosamente me deram essa honra. Descrevi quem tirei:

1. Um sujeito desastrado;
2. Incoveniente;
3. Geralmente engraçado e;
4. Com uns 200 kilos destribuidos nos seus 1,90m...

A família respondeu em coro: Frank! Era o irmão do meio de minha mãe, o tio preferido de todos os sobrinhos e filho e marido indesejado. A brincadeira continuou com ora alegria, ora decepção, eu por exemplo ganhei um conjunto de sabonete líquido e shampoo, será que sou tão fedido?

A ceia foi servida pouco após a meia-noite, depois de rezarmos o pai-nosso. Nunca tinha visto uma mesa tão farta, era uma pena eu ter me enfartado tanto com queijo e salgadinhos, mas pelo menos pro famoso tender preparado pelo meu avô eu tinha um lugar guardado. Tio Frank sentou numa das cabeceiras da mesa de 2 mil metros e gentilmente pediu ao meu pai, que estava no meio da mesa:

- ALFREDO, PASSA O PERU!

Ele cortou quase um kilo de peru e a coxa que sempre dizia ser sua por direito, sabe-se lá por que, e depois da primeira garfada voltou a falar:

- PORCARIA! Meu dente caiu ! Alguém me ajude a achar esse infeliz nesse prato.

Só minha vó conseguiu parar de rir e ajudar o abestado, o dente estava no meio da salada, e o prato dele era maior que os dos outros tios juntos. Ele pegou o dente e saiu resmungando para a cozinha. Após todos acalmarem os ânimos continuamos jantando, quando de repente vem o tio Frank correndo da cozinha pulando e sem abrir a boca, totalmente desesperado com uma Super Bonder na mão. Colou além do dente a boca...

-Maravilha! - Meu pai não aguentou e foi o primeiro a gargalhar.

Metade da família interrompeu o jantar e foi levá-lo ao hospital enquanto a outra metade ficou rindo da situação. Após duas horas o resgate em família retornou com tio Frank puto da vida, ele nem respondeu às provocações e foi terminar o seu prato, ficando ainda mais enfurecido ao perceber que roubaram a coxa do seu prato.

Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

Uma Vida Nas Alturas

Tripulação, decolagem autorizada.

O coração de Ana Maria estava mais acelerado que os dos torcedores do Vasco no jogo do rebaixamento, era seu primeiro vôo, todos os seus amigos e familiares foram levá-la ao aeroporto - nenhum deles tinha viajado de avião também, isso não era comum na década de 60 - ela estava saindo do Rio de Janeiro para Miami, queria parir ao lado do marido, que prestava serviço lá há um ano para uma empresa de engenharia brasileira. E seu filho teria além do suporte de uma das melhores maternidades do mundo, dupla nacionalidade.

Para não viajar sozinha insistiu que a irmã, Beatriz, fosse com ela, alegou ser covardia deixar uma irmã com uma barriga de sete meses sozinha numa máquina daquelas, se era pra sofrer que sofressem em família.

O comandante anunciou que poderiam retirar o cinto de segurança e que em poucos minutos seria servido o serviço de bordo.

Ana comeu o seu jantar e o da irmã, a qual estava completamente imóvel esmagando um terço entre seus magros e longos dedos.


- Está com medo Bia?

- Não tanto, mas começo a duvidar de que eu tenha coragem para viagem de volta. E você está bem?

- Estou sim, só queria que você me ajudasse a ir ao banheiro, bebi muito suco e acho que não segurei, estou toda molhada.

- Como é? Deixe eu dar uma olhada.... Sua bolsa rompeu!! Socorro! Minha irmã entrou em trabalho de parto!!


O avião sobrevoava a floresta amazônica neste momento. Haviam três médicos no vôo, mas logo que o primeiro se apresentou os outros preferiram voltar a dormir. A comissária levou as irmãs e o médico para a primeira classe e ficou para ajudar. O doutor se impressionou quando viu que o parto não demoraria mais de uma hora. E aconteceria ali mesmo, no avião.

As contrações se tornavam mais intensas, Ana gritava mais alto e com maior intensidade, os de sono mais pesado iam também acordando, as crianças choravam e se esperneavam, as mulheres estavam em pânico e os homens aterrorizados.

O médico disse já estar vendo a cabeça de Clarice, chegara o momento tão esperado, em frações de segundos o resto do corpo deslizara para fora... Não era Clarice, era Ricardo, o pai vencera a aposta.
Um fato desses costuma render uma boa audiência na mídia, então, assim que o avião pousou em Miami, no início da manhã, além de carros da polícia, paramédicos e bombeiros (pra quê bombeiros?) estavam vans de todas as redes de televisão, e é claro, o pai.

Foram todos levados à maternidade e liberados no mesmo dia à noite. As irmãs juravam nunca mais entrar num avião, e assim foi feito, moram lá até hoje. Beatriz se casou com um ricaço de Palm Beach que era o responsável pelas provas da Nascar no estado e exerce com maestria a profissão de mulher de milionário; Beatriz escolheu a luxuosa orla de Miami Beach e se dedicou aos filhos, depois de Ricardo teve duas meninas, ambas nascidas em solo firme, e; seu marido (vai terminar sem nome mesmo) foi contratado pela Odebrecht - Miami.

O menino que nasceu nas nuvens cursou a escola de aviação e hoje pilota Boeings de Los Angeles ao Japão, casou com uma aeromoça inglesa e mantém um apartamento espaçoso em frente ao Central Park. Quando tem tempo vai com a família visitar os pais e tios na Flórida e o restante da família que ficou no Brasil, além dos sogros em Londres. É, uma vida nas alturas.

Domingo, 30 de Novembro de 2008

24 Horas - Agora É Real


Quem assistiu à sexta temporada de 24 Horas se deparou com um EUA vivendo o caos: terroristas possuíam bombas atômicas em solo americano, detonam uma e ameaçam detonar as restantes. Criatividade? Parece que não, talvez os roteiristas da série não sejam tão originais assim.

Recentemente vários blogs têm divulgado uma entrevista assustadora entre a TV Al-Jazeera e o suposto terceiro comandante da Al Qaeda, apresentado como "Sr. Mohammed Al-Asuquf, doutor em física e mestrado em economia internacional" - seria Asuquf anagrama de Fuq USA?

Seis pontos que envolvem esse fato devem ser destacados:
Primeiro: A rede Al-Jazeera nega que qualquer um de seus repórteres tenha realizado a entrevista.

Segundo: Esse tal de Asuquf provavelmente nem existe, o FBI não o reconhece e o Google (mais confiável que o FBI) só encontra resultados relacionados a essa entrevista, vista como um trote, quase todos em português. Português? Por quê?

Terceiro: A entrevista teria sido enviada ao jornalista Abel-Bari Atwan, editor-chefe do jornal árabe Al Quds, publicado na Inglaterra, que se negou a publicá-la por considerar o conteúdo revelador - tanto o jornal como o jornalista existem de fato:
Mapa da sede do Al Quds/Site.

Quarto: Segundo os dados mais consistentes e antigos a entrevista foi divulgada no fim de 2002, através de uma cópia que chegou a Foz do Iguaçu e foi traduzida por um misterioso professor universitário - a cidade é uma das maiores concentrações de árabes do mundo, fazendo fronteira com Argentina e Paraguai e; a região foi tida como possível HQ de terroristas para ataques anti-EUA feitos a partir da América do Sul logo após a divulgação da "falsa"-entrevista, pelo antigo secretário de estado americano Colin Powell.

Quinto: Dados como o PIB dos EUA, detalhes sobre antigas guerras e nomes como: Serguei Ivanov, citado como ministro de defesa russo (é também atual vice - primeiro ministro) e o sueco Hans Blix - chefe da equipe de inspetores da ONU na ocasião e atualmente um diplomata que diz temer mais o aquecimento global que armas de destruição em massa - são todos fatos consistentes.

Sexto: Seis pontos? Só eram cinco, acho que me enganei, ou Bin Laden apagou o rascunho.

Leiam agora a entrevista:

(Contém Spoiler para 24h)

Al-Jazeera - Qual o objetivo da rede Al Qaeda?
Al-Asuquf - Destruir o Grande Satã, isto é, os Estados Unidos e Israel.

Al-Jazeera - Por quê?
Al-Asuquf - Os USA vem ao longo de 60 anos impregnando o mundo com a sua arrogância, ganância e maleficência. É a encarnação de tudo que é mau. As pessoas que vivem nesse planeta não merecem este martírio.

Al-Jazeera - Esta visão não é um tanto unilateral?
Al-Asuquf - Não, é só você observar os últimos acontecimentos. O desrespeito ao tratado de Kyoto, o caso do Tribunal Penal Internacional Permanente, a inatividade em relação aos nossos irmãos palestinos, a ganância financeira com especulações absurdas sobre os países do Terceiro Mundo, o descaso completo com outros povos oprimidos e outras infinidades de situações que todos os chefes-de-estado ao redor do mundo conhecem. E para coroar a situação: a doutrina Bush de "atirar primeiro e perguntar depois". Isso é um abuso inaceitável e, portanto terá conseqüências muito graves.

Al-Jazeera - Mas o desenvolvimento e a influência americana não são frutos de uma competência?
Al-Asuquf - Competência em extorquir, competência em subjugar, competência em mentir. Após a Segunda Guerra Mundial, o USA era o único país industrializado com o seu parque de fábricas intacto. Emprestando dinheiro, como um bom agiota, acabou por se tornar um pais muito rico e poderoso, porem, sua ganância não foi reduzida. Hoje os americanos vivem como nababos, desperdiçam como nenhum outro povo, gastam cerca de 80 bilhões de dólares, por ano, só em apostas. Perderam a noção de espiritualidade e vivem em constante pecado. A cada dia que passa os USA demonstram que não sabem viver com os outros povos, por isso, merecem ser destruídos.

Al-Jazeera - Não seria mais fácil assassinar o presidente George W. Bush?
Al-Asuquf - Em primeiro lugar não iria adiantar nada, além, talvez, de transformá-lo em mártir. Quando você tem um inimigo poderoso pela frente a melhor estratégia é não matá-lo e sim, fazê-lo perder a liderança por incompetência e deixá-lo viver para ver isto acontecer.

Al-Jazeera - A rede Al Qaeda tem capacidade bélica de guerrear com o USA?
Al-Asuquf - Se analisarmos a história, veremos que toda grande guerra antes de ser iniciada era baseada em conceitos já estabelecidos. Mas observando bem, estes conceitos e estratégias de nada adiantaram, pois uma outra forma de guerra estava por ser travada. Um exemplo foi a construção da Linha Maginot pelos franceses, após a Primeira Guerra Mundial, e que na realidade, se mostrou completamente inútil diante das forças invasoras. Os porta-aviões, submarinos nucleares, satélites espiões de nada adiantarão na próxima guerra.

Al-Jazeera - Autoridades americanas mantêm mais de 1000 pessoas suspeitas de terrorismo após 11 de setembro, isto não compromete os planos da Al Qaeda?
Al-Asuquf - Destas pessoas presas talvez 20 ou 30 pertençam a Al Qaeda. Porém, são do segundo escalão. Nós possuímos mais de 500 integrantes do primeiro escalão e 800 do segundo escalão dentro dos USA.

Al-Jazeera - O que significa primeiro ou segundo escalão?
Al-Asuquf - Primeiro escalão são integrantes da Al Qaeda que se encontram no USA há mais de dez anos, muitos deles casados e com filhos. Conhecem por alto os planos e estão apenas aguardando um telefonema. Também são conhecidos por "adormecidos". Os de segundo escalão chegaram nos últimos cinco anos e não possuem a mínima idéia dos planos.

Al-Jazeera - Mesmo os casados, com filhos, estariam dispostos a morrer com suas famílias?Al-Asuquf - Sim. Todos estão dispostos a morrer. Vide 11 de setembro.

Al-Jazeera - Nos planos gerais da Al Qaeda o que foi 11 de setembro?
Al-Asuquf - Numa escala geral, foi apenas o início. Foi apenas uma maneira de chamar a atenção do mundo para o que ainda virá.

Al-Jazeera - Quantos membros a Al Qaeda possui?
Al-Asuquf - De primeiro escalão, perto de cinco mil, de segundo escalão, perto de 20 mil ao redor do mundo.

Al-Jazeera - Na prisão de Guantánamo tem algum integrante do primeiro escalão?
Al-Asuquf - Não, inclusive muitos nem são da rede Al Qaeda.

Al-Jazeera - Como a Al Qaeda pretende destruir a nação mais poderosa de toda a história?
Al-Asuquf - É uma questão de logística. Usando o seu próprio veneno, isto é, atacando o coração do que eles consideram a coisa mais importante neste mundo, o dinheiro.

Al-Jazeera - Como assim?
Al-Asuquf - A economia americana é uma economia de falsas aparências. Não existe lastro econômico real para a economia americana. O PIB americano é algo entorno de 10 trilhões de dólares, sendo que apenas 1% vem da agropecuária, apenas 24% vem da indústria. Portanto 75% do PIB americano vem de serviços e grande parte disto são especulações financeiras. Para quem entende de economia, e ao que parece o secretário do Tesouro americano, Paul O'Neil não entende ou não enxerga, basta ver que o USA como um todo se comporta como uma imensa companhia "ponto - com" e os dólares propriamente dito são suas ações.

Al-Jazeera - O senhor pode explicar mais?
Al-Asuquf - O valor das ações de uma companhia é diretamente proporcional a rentabilidade desta empresa. Quando a empresa é apenas prestadora de serviço e não produz bens, o valor de suas ações depende de sua credibilidade. O que quero dizer é que se a credibilidade dos USA for abalada, suas ações (o dólar), irão cair numa velocidade impressionante e toda a economia americana entrará em colapso.

Al-Jazeera - Como o senhor tem certeza disto?
Al-Asuquf - Em escala menor, é exatamente o que os grandes grupos financeiros fazem com países do Terceiro Mundo para conseguir rentabilidades, em um mês, iguais a que nenhum banco suíço poderia dar em quatro ou cinco anos.

Al-Jazeera - Como, portanto, a Al Qaeda conseguiria abalar a economia americana a esse ponto?Al-Asuquf - Provocando um déficit de 50 a 70 trilhões de dólares, o equivalente ao PIB de cinco a sete anos dos USA.

Al-Jazeera - Como isto seria feito?
Al-Asuquf - Com a destruição das sete maiores cidades americanas e mais algumas medidas.

Al-Jazeera - Isto seria feito através de que método?
Al-Asuquf - Usando bombas atômicas.

Al-Jazeera - Com toda a segurança nos USA como, hipoteticamente, estas bombas seriam lançadas em solo americano?
Al-Asuquf - Elas não serão lançadas, elas já estão lá.

Al-Jazeera - O que o senhor está dizendo?
Al-Asuquf - Já existem sete ogivas nucleares em solo americano que foram colocadas antes do 11 de setembro e estão prontas para serem detonadas.

Al-Jazeera - Como elas entraram nos USA?
Al-Asuquf - Antes do 11 de setembro a segurança americana era um fiasco, e mesmo depois, se fosse necessário, também conseguiríamos colocar as bombas nos USA. Elas entraram através dos portos marítimos, como cargas normais.

Al-Jazeera - Como isto é possível?
Al-Asuquf - Uma ogiva nuclear não é maior que uma geladeira, portanto, pode ser facilmente camuflada como uma. Em um porto marítimo chegam milhares de contêineres por dia, por mais eficiente que seja a segurança é impossível checar, vasculhar e examinar cada contêiner.

Al-Jazeera - De onde vieram estas bombas atômicas?
Al-Asuquf - Foram compradas no mercado negro.

Al-Jazeera - De quem?
Al-Asuquf - Da antiga URSS compramos cinco e do Paquistão mais duas.

Al-Jazeera - Como é possível comprar uma bomba atômica, não existe segurança?
Al-Asuquf - Antes de 1989 era praticamente impossível, porém após a queda do muro de Berlim, o exército russo entrou em um processo de autofagia e alguns generais de alto escalão começaram a perder seus privilégios, portanto, ficaram altamente susceptíveis às corrupções. O próprio General Lebed, já falecido, e o chefe da comissão de inspetores de armas da ONU, Hans Blix já sabiam disto, apesar do ministro da Defesa russo, Serguey Ivanov negar.

Al-Jazeera - Quanto custa uma bomba nuclear?
Al-Asuquf - Algo em torno de 200 milhões de dólares.

Al-Jazeera - Como a AL Qaeda conseguiu este dinheiro?
Al-Asuquf - Temos vários patrocinadores.

Al-Jazeera - Quem são eles?
Al-Asuquf - Existem vários países que nos patrocinam e mais algumas pessoas muito ricas.

Al-Jazeera - São todos países árabes?
Al-Asuquf - Não, existem, inclusive, países da Europa que também têm interesse na queda dos USA.

Al-Jazeera - Quem são estas pessoas ricas?
Al-Asuquf - Pessoas que também se cansaram de ver os USA sugando o resto do mundo.

Al-Jazeera - Saddam Hussein é uma delas?
Al-Asuquf - Poderia se dizer que é apenas um dos colaboradores, na pessoa de Abdul Tawab Mullah Hawaish, seu vice-primeiro-ministro e responsável pelos programas de armas do Iraque.

Al-Jazeera - Estas bombas atômicas são de que potência?
Al-Asuquf - As cinco ogivas russas são dos antigos mísseis T-3, também conhecidos como, RD-107 e sua potência é algo em torno de 100 kilotons cada uma, isto é, cinco vezes a bomba de Hiroxima. As paquistanesas são menos potentes, algo em torno de 10 kilotons.

Al-Jazeera - As bombas não podem ser detectadas e desarmadas pelas autoridades americanas?Al-Asuquf - Não, apesar de antigas elas sofreram modernizações e estão muito bem escondidas. Mesmo que fossem localizadas, elas possuem dispositivos de auto-detonação se alguma coisa se aproximar. Mesmo pulsos eletromagnéticos não são capazes de desativá-las.

Al-Jazeera - Elas não emitem radiação? Não podem ser detectadas?
Al-Asuquf - Não. Elas estão envoltas em grossas paredes de chumbo.

Al-Jazeera - Um navio paquistanês, suspeito, há pouco tempo foi vistoriado e só encontraram barras de chumbo. Isto tem alguma coisa a ver com as bombas?
Al-Asuquf - Sim, porém aquele chumbo seria apenas uma cobertura extra, não necessariamente fundamental.

Al-Jazeera - Como estas bombas seriam detonadas?
Al-Asuquf - Existem vários métodos, ligação por celular, radio freqüência, abalos sísmicos ou pelo seu relógio regressivo.

Al-Jazeera - Uma vez detonadas, estas bombas causariam a morte de quantas pessoas?
Al-Asuquf - Depende, pois o plano é muito maleável.

Al-Jazeera - Qual é, portanto, todo o plano?
Al-Asuquf - A principio seria detonada uma ogiva, o que iria provocar a morte de 800 mil a 1 milhão de pessoas e provocaria um caos de proporções nunca antes vistas. Durante este caos, mais dois ou três aviões agrícolas que se encontram desmontados em celeiros perto de estradas sem movimento do interior dos USA levantariam vôo para pulverizar mais dois ou três grandes cidades americanas com varíola, em missões suicidas. Isto significa que uma vez identificada a varíola, todos os portos aéreos e marítimos seriam fechados para quarentena. As fronteiras terrestres também se fechariam. Nenhum avião, barco ou veículo terrestre sairia ou entraria nos USA. Isto seria o caos total. O secretário de imprensa da Casa branca, Ari Fleischer terá muito trabalho para fazer.

Al-Jazeera - Mas o governo americano garantiu que em cinco dias poderia produzir vacina contra a varíola para toda a população.
Al-Asuquf - Ataques suicidas paralelos serão feitos contra as fábricas das vacinas.

Al-Jazeera - Qual seria a primeira cidade?
Al-Asuquf - A primeira cidade será a que melhores condições apresentar, por exemplo, céu claro, ventos de oito ou mais milhas/hora em direção ao centro do país, para que a poeira radioativa possa contaminar a maior área possível.

Al-Jazeera - Esse ataque aniquilaria a USA?
Al-Asuquf - Não. Mas o processo estaria iniciado. Quem iria comprar algum alimento dos USA sabendo que poderia estar contaminado por radiação? Quem iria viajar para os USA sabendo da possibilidade de contrair varíola? Quem continuaria a investir dinheiro em instituições americanas? Como no World Trade Center, seria apenas uma questão de tempo para toda a estrutura econômica ruir e virar pó. Se os objetivos forem alcançados com uma bomba e a varíola, provavelmente iremos poupar a vidas de outras pessoas, porém é arriscado e provavelmente mais seis bombas atômicas serão detonadas, uma por semana, e mais ataques com armas químicas serão efetuados.

Al-Jazeera - Quantas pessoas inocentes morrerão?
Al-Asuquf - Segundo estimativas feitas por mim e Ayman Al-Zawahiri, algo em torno de 15 milhões, devido as bombas atômicas e sua radiação. Das contaminadas por varíola, 25% morrerão, algo em torno de mais cinco milhões e muito outras devido ao caos e a desordem instalada.

Al-Jazeera - Mas a resposta militar americana?
Al-Asuquf - Praticamente não haverá. Mesmo que cinco ou dez cidades sejam escolhidas de maneira aleatória para serem destruídas, ainda será um preço pequeno para pagar. O problema é que o desespero econômico será tão grande que até poupar de gastar armas desnecessariamente ocorrerá, pois a liquidez de bens americanos ficará quase a zero e nesta altura os USA ganharão mais vendendo um porta-aviões da classe Nimitz que custa perto de 5 bilhões de dólares, para a Turquia ou Itália, por 1 bilhão de dólares, pois precisarão se recapitalizar de maneira urgente, porém será tarde de mais. Além do mais, qual será a moral de um soldado americano de lutar sabendo que toda a sua família morreu e seu país deixou de existir. Lutar pelo quê?

Al-Jazeera - A economia mundial, também, não ruirá?
Al-Asuquf - No inicio será muito difícil, uma grave crise econômica se instalará. Porém sem os USA o mundo logo se erguera de maneira mais justa e fraterna.

Al-Jazeera - E Israel?
Al-Asuquf - Como vocês dizem... Será a sobremesa.

Al-Jazeera - O porta-voz de Bin Laden, Sulaiman Abu Gheith, sabe que o senhor deu esta entrevista?
Al-Asuquf - Foi ele e bin Laden que me sugeriram que desse a entrevista.

Al-Jazeera - Osama Bin Laden está vivo?
Al-Asuquf - Vivo e com muita saúde, ao lado de seus comandantes, Mohammed Atef e Khalid Shaik Mohammed e o Mula Omar.

Al-Jazeera - E o senhor não receia que venham a descobrir os planos da Al Qaeda?
Al-Asuquf - O plano já está em sua contagem regressiva, nada mais poderá pará-lo.

Al-Jazeera - Nem mesmo um pedido de desculpas e novas atitudes por parte dos USA?
Al-Asuquf - Isso não aconteceria e mesmo assim é tarde demais.

Al-Jazeera - Quando será iniciado o ataque?
Al-Asuquf - Não posso revelar. Allah Akbar (Deus é Grande).

Bem, o texto pode ser mesmo de autoria da Al Qaeda, podia ser parte do plano usado pelos USA para justificar a continuação da guerra contra o terror ou simplesmente produto de uma fértil mente ociosa. Mas por que a divulgação se iniciou no Brasil? Por que depois de alguns anos esquecido o texto voltou à tona? Logo quando ações terroristas põem a Índia em tensão com o Paquistão. Quando uma crise econômica de níveis incalculáveis atinge sobretudo os EUA, deixando-o mais vulnerável. Será o início dos ataques? Faço das palavras de Al-Fuqusa, quer dizer, Al-Asuquf as minhas: Não posso revelar. Allah Akbar. xD

Domingo, 16 de Novembro de 2008

Slam

Que Nick Hornby é um excelente escritor todo mundo sabe (ou pelo menos deveria saber). Que seus livros são perfeitos para serem adaptados para a telona nínguem duvida. Mas que ele seria capaz de entrar em um universo desconhecido para ele até então... Em Slam (cujo significado remete ao tombo do skatista) ele mostra o quão jovem pode ser a mente de um escritor que já passou dos 50 e escreve com facilidade o que escreveria um cara de 18 anos.

O trabalho mais conhecido de Nick é o livro Alta Fidelidade, imortalizado no cinema com a brilhante atuação de John Cusack como Rob Gordon, um dos donos do Championship Vynil, uma loja de discos onde os donos ironizam o mau gosto dos clientes e valorizam a boa música (deu origem ao nome do excelente blog Champ Vinyl). Assim como em Alta Fidelidade, em Slam o autor faz inúmeras referências culturais: Sam, personagem principal é fanático pelo skatismo e faz confissões e pede conselhos a um pôster do Tony Hawk (as respostas do poster se baseiam na autobiografia do skatista: Hawk - Profissão: skatista, lida compulsivamente por Sam); o comportamento do protagonista e a escrita em fluxo de idéias remetem a uma versão mais moderna do livro O Apanhador no Campo de Centeio; são citados artistas e celebridades da atualidade a todo instante, de Jennifer Aniston a J. K. Rowling e David Beckham; Big Mac, iPod e X-box? Estão todos lá.

O melhor do livro é que Hornby não deixa de escrever como Hornby, e mostra de maneira incrível como um garoto esperto é forçado a se tornar adulto da noite pro dia. Escrito em primeira pessoa, a história é narrada por Sam, um jovem de 18 anos que mostra o quanto sua vida mudou nos dois últimos anos, quando ele arranja outro amor além do basquete, Alicia. Aí começa o drama: logo de início Alicia suspeita estar grávida de Sam, deixando-o desesperado, pois ele começava a acreditar que quebraria a maldição da família de engravidar cedo e não ir à faculdade.

Um fator surpresa foi o uso de flashforwards, por algumas vezes o protagonista acordava alguns meses no futuro e via uma prévia do que ocorreria com ele. Focando-se nos erros do antigo futuro, quando Sam chega no dia já visitado tenta desesperadamente corrigir as falhas que cometeria, no entanto tudo ocorre em vão, e ele percebe que os erros cometidos não podem ser apagados, mas errados de maneiras diferentes.

Outro tema bastante abordado é a diferença social entra as famílias de Sam e Alicia, os pais dele são separados e seu pai é encanador (também não se dá bem com o filho), os dela são professores universitários (profissão bem valorizada na Inglaterra) e são defensores árduos do bom e velho costume. E é nesse clima de diferenças, surpresas, intrigas e descontração que Nick Hornby conquista mais fãs e nos deixa mais um roteiro para um belo filme.